by Fernando Holiday – Um negro fala sobre a lamentável atitude do Movimento Negro na USP

Rasgando o Verbo – Resposta

Prezado Fernando, irei em breve interceder verbalmente balizado em seu depoimento, meu ponto de vista sobre o fato. Inicialmente acredito serem louváveis ambas as pautas, digna de criticas, favoráveis e desfavoráveis. Porém algumas colocações apresentadas em seu depoimento são fortes, são agressivas e inflama um pouco mais o tema. Em linhas gerais achei a intercessão dos alunos na sala agressiva, despreparada, com argumentações primarias, uma linguagem que caberia bem nos guetos, em ocasiões distintas.

O discurso foi regado de um dialeto que não condiz com o meio acadêmico. Claro que o tema não deve deixar de lado o tão conhecido ” Facultês” serenamente destacado no programa Conexão Roberto D´Avila ao entrevistar no notório professor Milton Santos ainda em vida.

“Nós homens negros da faculdade precisamos ser capazes de abandonar esta linguagem e passemos a usar uma linguagem mais representativa”. Esta linguagem aplicada em sala , visando defender cotas deve soar de forma bilateral. Nota-se que o monologo foi inconsistente, constrangendo o professor e outras etnias com a indelicadeza das acusações. Sábio foi a gravação, que de forma imparcial, mostrou oque não iríamos ver.

Concordo que existe uma nota fiscal de uma prestação de serviços efetuado no século passado que ainda não foi contabilizado, porem este imposto deve ressarcir todos que de forma direta ou indireta foram afetados pela desigualdade  independente de sua etnia. Concordo que temos que ser competitivos, porem discordo que temos que atrasar os passos de nossos concorrentes. Nossa historia é uma São Silvestre – o pelotão de elite saia na frente, obtendo vantagens pela sua condição e saímos séculos depois, com a sociedade já constituída. A universidade é uma ilha, onde o exercício da hipocrisia nas relações cotidianas é uma regra. Ambos os depoimentos foram fortes, causando um espanto diante do inesperado.

Vale uma reflexão sobre nossas perdas, porem a corrente esta pesada para ambos os lados e hoje o discurso deve ser em volto a uma sociedade igualitária. È notório que em algumas rodas somos vistos como alguém que pertence a uma camada econômica, intelectual, cultural, social, inferior, mas a mudança deve ocorrer interiormente, dentro de nós inicialmente e deixarmos o vitimismo de lado.  Com mais estudo, paira da situação não melhorar tanto, como o discurso aponta. O negro esta estudando, porem  na grande maioria seguem cursos de segundo nível, tendo que buscar individualmente instrumentos culturais para avançar.

Temos uma infinidade de condições tecnológicas de disputarmos pela vaga de trabalho, porem as oportunidades não cresce, a faixa salarial é baixa e a contratação não existe. Pois o nosso “lay-out” , atrelado a pigmentação ainda causa estranheza em alguns Contratantes inacostumados (este palavra criei agora). Temos uma vontade de participar da sociedade e não conseguimos, claro que temos negros de expressão neste cenário, vejo inúmeros em destaques, mas os pensamentos não são próximos, são eminências em áreas diferentes, distintas. Demonstrou não conhecer o MNU, os movimentos negros que você colocou de forma pejorativa é um forma de expressão, expressivo em diversas cidades, fortes em suas decisões e cultivador de nossas historias.

O movimento é uma caminhada direita, claro que dentro de um exercício político, infinitamente menos forte que nos estados unidos. Lembre-se, o racismo continua, o negro é visto como negro, alguns como exceção, talvez um elemento que não pode estar ali, em consequência de seu passado de escravidão. Você é uma exceção, e como exceção deve efetuar uma re-leitura de sua importância na ordem do dia, agregando ainda mais. Como empresário e professor universitário, lamento o ocorrido!

Enfim, é degenerativo a condição do negro ser discutidas por negros com gritos, lamurias e vitimismo, insultos, jargões rochosos, encenações tendenciosas.

Realmente esta forma de abordagem não me representa.  Finalizo com um pensamento de Morgan Freeman – “O dia em que pararmos de nos preocupar com Consciência Negra, Amarela ou Branca e nos preocuparmos com Consciência Humana, o racismo desaparece.”


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